Por que o admissional merece um processo próprio
Em muitas empresas, o exame admissional é lembrado na véspera do primeiro dia de trabalho. O resultado é previsível: candidato correndo para a clínica, exame complementar que não deu tempo de fazer e início adiado. Com um fluxo simples e bem combinado entre RH, gestor e clínica, o admissional deixa de ser gargalo e passa a ser uma etapa normal da contratação.
O exame tem uma função clara: verificar se o candidato tem condições de saúde compatíveis com a função, considerando os riscos dela. A conclusão fica registrada no ASO, o Atestado de Saúde Ocupacional, com a indicação de apto ou inapto.
A regra principal: antes de começar
A CLT, no artigo 168, e a NR-7 determinam que o exame admissional seja feito antes de o trabalhador assumir as atividades. Isso vale para contratos por prazo indeterminado, de experiência, temporários e de aprendizagem. Não existe "começar e regularizar depois".
Deixar o empregado trabalhar sem o admissional expõe a empresa a autuação e enfraquece a defesa em caso de doença ou acidente, porque não há registro do estado de saúde no início do contrato.
Passo a passo para o RH
- Confirme a função e o setor. O exame depende dos riscos da função, não do cargo genérico. "Auxiliar" na produção e "auxiliar" no escritório podem ter exames diferentes.
- Consulte o PCMSO. O programa indica quais exames clínicos e complementares fazem parte do admissional de cada função. Se a função é nova e não está no PCMSO, avise a clínica antes.
- Agende assim que a proposta for aceita. Envie à clínica nome completo, documento, função, setor e a lista de exames prevista. Quanto antes, melhor, principalmente quando há exames complementares.
- Oriente o candidato. Informe endereço, horário, documentos e eventuais orientações de preparo repassadas pela clínica no agendamento.
- Exames complementares. Quando previstos, são feitos antes da avaliação clínica ou no mesmo atendimento, conforme a organização da clínica.
- Avaliação clínica e ASO. O médico faz a anamnese ocupacional, o exame físico e emite o ASO com a conclusão.
- Arquive e informe. O ASO vai para a pasta do empregado, e os dados do exame são enviados ao eSocial no evento S-2220, conforme o Manual de Orientação do eSocial vigente.
O que muda de uma função para outra
Não existe um "pacote padrão" de admissional. O que define os exames é o PCMSO, construído com base nos riscos levantados no PGR. Alguns exemplos ilustram a lógica:
| Função (exemplo) | Riscos que costumam aparecer | Exames que podem ser previstos |
|---|---|---|
| Assistente administrativo | Ergonômicos | Avaliação clínica |
| Operador de máquinas | Ruído, risco de acidentes | Avaliação clínica e audiometria |
| Trabalhador em altura | Queda | Avaliação clínica e exames definidos pelo médico |
| Motorista profissional | Trânsito, jornada | Avaliação clínica, acuidade visual e exames do PCMSO |
A tabela é só ilustrativa. A lista correta está no PCMSO da sua empresa e pode variar conforme o critério do médico responsável.
O que conferir no ASO
Antes de arquivar, vale uma conferência rápida. O ASO deve trazer:
- Nome e identificação do trabalhador.
- Função e riscos ocupacionais considerados.
- Indicação dos exames complementares realizados.
- Conclusão de apto ou inapto para a função.
- Identificação e assinatura do médico que realizou o exame.
- Data do exame.
Lembre-se de que o ASO não tem "validade" definida na NR-7. O que existe são momentos certos para cada tipo de exame, definidos na norma e no PCMSO.
E se o candidato for considerado inapto?
A conclusão de inaptidão se refere à função avaliada, naquele momento. O RH deve tratar a informação com sigilo e conversar com a clínica para entender, sem acesso a dados clínicos protegidos, se há possibilidade de readequação para outra função ou se é necessária nova avaliação no futuro. Decisões desse tipo pedem cuidado jurídico e devem considerar a orientação do médico responsável.
Erros comuns no admissional
- Agendar com a função errada ou genérica, o que leva a exames inadequados.
- Esquecer exames complementares previstos no PCMSO.
- Marcar o início do contrato antes do ASO pronto.
- Não enviar o evento S-2220 ou enviar com dados divergentes do ASO.
- Arquivar o ASO sem conferir assinatura e conclusão.
Dica para quem contrata com frequência
Se a empresa admite várias pessoas por mês, combine com a clínica um fluxo fixo: um canal único para pedidos, uma planilha simples com função, exames e status, e um responsável no RH para acompanhar. Isso reduz retrabalho e facilita a auditoria dos documentos depois.
Checklist rápido antes do primeiro dia
Use esta lista como conferência final antes de liberar o novo empregado para começar:
- Função e setor conferidos com o gestor da vaga.
- Exames do PCMSO para a função identificados e realizados.
- ASO emitido, com conclusão de apto, assinado e com data anterior ao início das atividades.
- ASO arquivado na pasta do empregado e cópia entregue ao trabalhador.
- Evento S-2220 preparado para envio dentro do prazo do eSocial.
- Treinamentos obrigatórios da função, como os de NRs, programados para os primeiros dias.
Se algum item estiver pendente, o melhor é ajustar a data de início. Um ou dois dias de atraso custam muito menos do que um contrato iniciado sem a documentação de saúde e segurança em ordem.
Como a MT13 pode ajudar
A MT13 realiza o exame admissional e os exames complementares com a mesma equipe, em Goiânia, e entrega o ASO coerente com o PCMSO da empresa. Se o programa ainda não existe ou está desatualizado, também podemos elaborá-lo. O agendamento é feito pelo WhatsApp.
Conheça os exames ocupacionais e ASO ou fale com a equipe para organizar o fluxo de admissões. A definição dos exames de cada função depende sempre da avaliação do médico responsável.