O que o monitoramento biológico mede
O monitoramento biológico avalia a presença de uma substância, ou de um produto do seu metabolismo, em amostras como sangue e urina. Enquanto a avaliação ambiental mostra o que existe no ar do setor, o indicador biológico mostra o que de fato foi absorvido pelo trabalhador, considerando respiração, pele e hábitos durante a jornada.
A NR-7 traz os indicadores biológicos e orienta como eles entram no PCMSO. A MT13 realiza a coleta e organiza os resultados para o médico responsável interpretar junto com o restante do PCMSO e PGR.
Serviços desta área
Monitoramento biológico de metais (chumbo/ALA-U, arsênico, cádmio, cobalto, cromo, manganês, mercúrio, estanho, níquel, vanádio, fluoreto)
Chumbo, ALA-U, cromo, níquel, manganês, mercúrio e outros metais para expostos.
Ver detalhesMonitoramento biológico de solventes (ác. hipúrico, mandélico, trans,trans-mucônico, orto-cresol, fenol, acetona, etanol/metanol, painel de metabólitos)
Metabólitos urinários de tolueno, xileno, estireno, benzeno, fenol, acetona e álcoois.
Ver detalhesColinesterase para expostos a agrotóxicos (eritrocitária e plasmática)
Acetilcolinesterase eritrocitária e colinesterase plasmática para quem lida com agrotóxicos.
Ver detalhesBenzeno: série histórica e reticulócitos
Hemograma com reticulócitos e série histórica para expostos ao benzeno.
Ver detalhesMetais
Indústrias de baterias, galvanoplastia, soldagem, fundição, cerâmica e manutenção industrial costumam ter exposição a metais. O painel de monitoramento de metais inclui:
- Chumbo no sangue ou na urina e ácido delta-aminolevulínico urinário (ALA-U);
- Arsênico, cádmio, cobalto e cromo;
- Manganês, mercúrio, estanho, níquel e vanádio;
- Fluoreto urinário.
Cada indicador tem material e momento de coleta próprios, e a escolha depende do agente apontado no inventário de riscos.
Solventes e seus metabólitos
Pintura, gráficas, laboratórios, postos de combustível e fabricação de colas lidam com solventes orgânicos. O monitoramento de solventes trabalha com metabólitos urinários, como:
- Ácido hipúrico e ácido mandélico;
- Ácido trans,trans-mucônico;
- Orto-cresol e fenol;
- Acetona, etanol e metanol;
- Painel de metabólitos urinários, quando há mistura de solventes.
Agrotóxicos
Trabalhadores rurais, aplicadores, armazenistas e funcionários de revendas podem ter contato com inseticidas que inibem a colinesterase. A dosagem de colinesterase é feita de duas formas: a acetilcolinesterase eritrocitária e a colinesterase plasmática. O ideal é ter um valor de base antes da exposição, para comparar ao longo das safras. Empresas do campo também devem conferir o PGRTR.
Benzeno
Para expostos ao benzeno, o acompanhamento mais importante é a série histórica do hemograma, que permite perceber pequenas mudanças ao longo do tempo, complementada pela contagem de reticulócitos. Veja como funciona em benzeno: série histórica e reticulócitos.
Como o monitoramento é organizado
- Leitura do inventário de riscos. Os agentes químicos e os grupos expostos são identificados no PGR.
- Definição no PCMSO. O médico responsável escolhe os indicadores, os momentos de coleta e a periodicidade.
- Coleta orientada. O trabalhador recebe as orientações de preparo e de horário de coleta no agendamento.
- Análise e registro. Os resultados entram no prontuário, alimentam o ASO e podem compor o evento S-2220 no eSocial SST.
Um indicador biológico não substitui as medidas de controle no ambiente. Resultados fora do esperado devem levar a empresa a revisar a exposição, os equipamentos de proteção e os procedimentos de trabalho.
Indicador biológico não é exame de rotina
Um hemograma de check-up e um hemograma de série histórica para benzeno podem parecer o mesmo exame, mas têm finalidades diferentes. No monitoramento biológico, o que importa é a comparação: o resultado de hoje frente aos anteriores do mesmo trabalhador e frente ao grupo exposto. Por isso é essencial manter o mesmo critério de coleta, registrar o momento em relação à jornada e guardar os resultados de forma organizada. Um valor isolado diz pouco; uma tendência ao longo do tempo diz muito sobre a exposição e sobre a eficácia das medidas de controle.
Também é importante que o trabalhador entenda o motivo do exame. Explicar que a coleta serve para proteger a saúde dele, e não para puni-lo, melhora a adesão e a qualidade das amostras.
Ambiente e organismo, lado a lado
O melhor retrato da exposição aparece quando o monitoramento biológico é lido junto com as avaliações quantitativas de higiene ocupacional. Se o ar do setor está dentro do esperado, mas os indicadores biológicos sobem, pode haver absorção pela pele ou falha no uso do EPI. Esse cruzamento ajuda a empresa a agir na causa certa.
Quem costuma precisar
O monitoramento biológico aparece com frequência no PCMSO de segmentos como:
- Indústria metalúrgica, galvanoplastia, fundições e oficinas de solda;
- Fábricas e reformadoras de baterias;
- Pintura industrial e automotiva, gráficas e fabricantes de tintas, colas e vernizes;
- Postos e distribuidoras de combustíveis;
- Propriedades rurais, cooperativas e revendas de defensivos agrícolas;
- Laboratórios químicos e indústrias farmacêuticas.
Não é o ramo que define a necessidade, e sim a exposição real descrita no inventário de riscos. Uma oficina pequena pode precisar de monitoramento, enquanto um escritório da mesma empresa não precisa.
Por que fazer com a MT13
Os exames de monitoramento são coordenados com os exames complementares e a avaliação clínica, no mesmo fluxo de agendamento. O RH recebe os resultados organizados por trabalhador e por agente, o que facilita acompanhar a série histórica. Para entender o tema com calma, leia monitoramento biológico: o que é e quem precisa.